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Marrie Basso | Os desafios a impulsionou alçar voos mais altos

Entrevista por Lia Santos

Todos temos desafios na vida, seja em âmbito pessoal ou profissional. A atitude individual frente aos desafios é o que diferencia eu, de você e de milhões de outras pessoas. Os desafios impulsionam a alçar voos mais altos.

Os desafios de um imigrante quase sempre são semelhantes: Fluência no idioma, adaptação de vida e trabalho, aprendizagem constante.

Nossa entrevistada de hoje, Marília Basso, disse que seu maior desafio foi o medo do desconhecido, mas ao mesmo tempo sua vontade de conhecer o novo foi o que mais a impulsionou.

Conheça sua história e no final deixe um comentário.

Marrie, conte nos um pouco da sua história, sua família, onde nasceu

“Meu nome é Marília, mas amo meu apelido Marrie que tenho desde o primeiro emprego acho que uns 17 anos atrás (risos)!

Na verdade as pessoas começaram a me chamar de Marrrrrrriiii com um montão de “R” e eu adaptei pra Marrie e ficou até hoje, mas pode me chamar de Mah, Mahi, eu gosto também.

Eu sou natural de Nova Prata no Rio Grande do Sul onde está praticamente toda minha família, mas me mudei pra São Paulo aos 11 anos de idade onde morei por 20 anos então eu digo que sou mais Paulistana do que gaúcha.

Quando eu tinha 16 pra 17 anos meus pais se separaram, minha mãe voltou com a minha irmã para o Rio Grande do Sul, mas eu fiquei em São Paulo (não vou contar muito dessa época porque são memórias não muito boas), mas enfim, em São Paulo foi que fiquei, trabalhei, me formei e hoje estou aqui na NZ.”

Observando o mar. Marrie/ Arquivo pessoal.

O que te levou a sair do Brasil e vir para a Nova Zelândia?

“O principal motivo que me levou a sair do Brasil foi em busca de uma vida melhor e mais segura.

Desde que conheci meu atual noivo/marido, ele sempre me falou muito da vida fora do Brasil pois ele já havia morado na Europa e na Austrália, eu sempre encantada ouvindo as histórias e admirando mas eu mesma nunca tinha colocado os pés fora do Brasil.

Enfim, após algumas tentativas de construir uma vida melhor em São Paulo, vimos que o melhor a se fazer era tentar a vida fora do país.

Pensamos em alguns países, mas acabamos optando pela Nova Zelândia. Eu ainda lembro todas as pesquisas e todo o tempo que passei vendo um guia da Nova Zelândia que comprei de presente pra nós, passei 2 anos estudando aquele guia (risos) e simplesmente me apaixonava a cada página.

O que mais me chamava a atenção era a cor da água das baías espalhadas pelo país e a cultura. Parecia um outro mundo!”.

Há quanto tempo está aqui e o que você mais ama neste país?

“Cheguei na Nova Zelândia em outubro de 2016 e parecia um sonho! Eu não acreditava que estava aqui, em dois dias eu andei o centro todo, fui até Mission Bay e o Mount Eden a pé (meu marido não queria me deixar dormir por conta do jet lag haha) foi sensacional.

Foi desde já que despertei a vontade de sair caminhando, explorando todos os cantinhos e daí veio minha paixão em achar lugares, não só os lugares famosos, mas simplesmente olhar no google maps, ver um lugar novo e sair explorando.”

“Essa possibilidade de poder fazer essas coisas em paz e segurança, além de todas as belezas naturais que temos aqui, um profundo amor que só cresce a cada passo, é isso que mais amo por aqui. Olha, só de escrever aqui já me emocionei….mas é como eu digo, se tem emoção, se brota uma lagriminha de felicidade no olho é porque o sentimento é realmente profundo.”

Nos fale sobre os desafios iniciais quando chegou. Como você se sentiu e o que mudou com o passar do tempo.

“Acho que um dos maiores desafios foi o medo do desconhecido, mas ao mesmo tempo a vontade de conhecer o novo foi o que mais me impulsionou.

Eu cheguei na NZ sem falar inglês, e nem oi eu conseguia falar direito, parecia um bichinho do mato assustado (risos), então sair na rua sozinha e fazer qualquer tipo de coisa foi muito complicado, porém como eu mencionei a vontade de conhecer o novo era tanta que com duas semanas eu já estava empregada num hotel.”

Primeiro dia de trabalho

“Lembro que na entrevista eu só concordava com tudo (risos), e no primeiro dia eu tive um café da manhã, tipo dinâmica pra conhecer a empresa com aproximadamente 60, 70 pessoas e a cada vez que alguém passava perto de mim com o microfone me batia um desespero, eu não entendia absolutamente NADA, fui para o banheiro ligar pro meu marido e chorar duas vezes.

O tempo passou, e depois de 3 meses estudando inglês, eu comecei a conseguir me comunicar melhor até que trabalhei em outros 2 empregos, e em menos de 1 ano eu já estava empregada na minha área em TI, com muito medo ainda, com muitas dificuldades mas sem desistir.

Acho que com o passar do tempo o que mais mudou foi a minha capacidade de levantar rápido a cada vez que pensei que fosse cair.

Caminhada pela natureza. Marrie/ Arquivo pessoal.

Nos fale sobre sua profissão no Brasil e aqui.

“No Brasil eu trabalhava na área de TI como Analista de Testes de Software e já estava numa posição bacana dentro da última empresa, porém com o estresse do dia a dia quando saí do Brasil eu não pensava mais em trabalhar nesta área, na verdade eu estava disposta a fazer qualquer coisa pra seguir meu sonho.

Mas aqui, depois de ouvir muito que as coisas por aqui eram diferentes e depois de conseguir uma oportunidade, com a “cara e a coragem” voltei pra área de TI e trabalho na mesma empresa desde então, já são mais de 3 anos.”

Em sua opinião, qual a diferença em trabalhar como Analista de Testes de Software na Nova Zelândia comparado ao Brasil?

“Na empresa no Brasil, trabalhávamos com tecnologias mais antigas e aqui na Nova Zelândia entrei em uma empresa que trabalha com tecnologias mais atuais e modernas, sempre inovando o jeito de trabalhar e as ferramentas que usamos.

Isso tornou a minha vida bem difícil no início, pois eu tive que aprender um mundo novo de tecnologias e tudo isso com a língua que eu estava começando a aprender, o bendito Inglês.”

“A pressão na área de qualidade de software sempre vai existir (…) uma das maiores diferenças (…) os prazos são mais flexíveis e isso influencia na qualidade de vida (…)”.

“Então, um desafio de aprender uma ferramenta nova que normalmente seria “somente mais uma coisa nova pra aprender” foi dificultado em 200% tendo que aprender em Inglês.

A pressão na área de qualidade de software sempre vai existir, mas uma das maiores diferenças que notei aqui, na maioria das vezes os prazos são mais flexíveis e isso influencia na qualidade de vida, pois não tenho que trabalhar aos feriados, finais de semana ou até tarde todos os dias (o que era muito comum quando eu trabalhava no Brasil), a não ser que eu perceba que é realmente necessário, ou quando eu quero me dedicar em algo novo.

Acho que isso foi o que eu mais senti de diferente.”

EMERALD LAKES – Tongariro Alpine Crossing Eu estava bem feliz! Marrie/ Arquivo pessoal.

Como foi sua experiência de “cara e a coragem” para conseguir esta oportunidade de trabalho.

“Eu consegui a oportunidade graças a minha amiga Mary, eu dizia que não estava preparada e foi ela quem me indicou e me encorajou, ela dizia que meu inglês era bom, e eu dizia que não (risos), mas pensei “quer saber vamos ver no que vai dar”.

Fiz uma entrevista, e enquanto eu esperava o resultado pra saber se eu ia pra segunda fase, eu recebi a oferta de trabalho e quase cai de costas literalmente.

Como eu comentei, não foi fácil, o início foi beeeem complicado, mas o mais importante foi ter persistência, coragem pra continuar e não me abater quando as coisas estavam difíceis.

Na verdade não tem muito como “não se abater “com as dificuldades, mas o que eu consegui foi desenvolver a capacidade de me levantar rapidamente, pois eu queria muito fazer as coisas acontecerem.

“Os desafios ainda existem, e a cada dia aprendo algo novo. Hoje em dia claro com muito mais segurança e podendo entender e me comunicar claramente.”

Então pra finalizar gostaria de deixar um recado pra quem está lendo, se eu consegui, você também consegue, você pode! Tenha fé em você, não tenha medo de arriscar, persista e se permita, os desafios tornam a vida mais emocionante e as vitórias ainda mais comemoradas.”

E seus hobbies, no que você ama passar o tempo?

“Como eu mencionei uma das coisas que mais gosto de fazer aqui é sair e explorar, não consigo ficar muito tempo parada (risos).”

Pintar azulejo

“Tenho um hobbie há muitos anos que é pintar azulejos, brincar com as tintas e tentar coisas novas então sempre que estou inspirada transmito para as pinturas, mas só por diversão mesmo!”. Algumas fotos estão em seu instagram @mariliabasso_nz.

Fotografia

“Comecei a gostar de tirar fotos das lindas paisagens da NZ desde que cheguei aqui, quem não gosta né, é tudo tão maravilhoso, e eu gosto de fotografar pessoas também principalmente as minhas amigas e tenho treinado de vez em quando, a gente sai por aí com os cabelos ao vento e tirando fotos mais naturais, eu gosto bastante.

Ah eu gosto de assuntos sobre o desconhecido também, adoro coisas sobre aliens e o universo, inclusive estou fazendo uma lista de lugares misteriosos para visitar aqui na NZ (risos), vamos ver o que vou encontrar pelo caminho hehe.”

Esse foi meu primeiro final de semana pós lockdown saindo pra fazer o que mais amo aqui na NZ, explorar lugares novos. Esse parque fica na região de Clevedon, uns 50 minutos do centro de Auckland. Marrie/ Arquivo pessoal.

Acompanhe as aventuras da Marrie pelo Instagram e também no Youtube.

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